Câncer de Rim

O que é o câncer de rim?

O câncer de rim é uma doença caracterizada pelo crescimento desordenado de células do tecido renal. Entre os tumores malignos do rim em adultos, o carcinoma de células renais (CCR) é o tipo mais frequente e representa aproximadamente 2% de todos os cânceres.

A doença ocorre mais frequentemente em homens e sua incidência aumenta com a idade. Entre os diferentes tipos de carcinoma de células renais, o carcinoma de células claras é o mais comum. Outros subtipos importantes incluem o carcinoma papilífero e o carcinoma cromófobo.

Nas últimas décadas, houve aumento no número de tumores renais diagnosticados. Uma parcela significativa desses casos é descoberta de maneira incidental, durante exames de imagem — como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética — realizados por outros motivos.Esse diagnóstico incidental permite que muitos tumores sejam identificados ainda pequenos e restritos ao rim, fase em que as possibilidades de tratamento com intenção curativa são maiores.

Quais são os sintomas do câncer de rim?

Nas fases iniciais, o câncer renal geralmente não provoca sintomas. Por esse motivo, muitos tumores são descobertos por acaso durante a realização de exames de imagem.

Com o crescimento do tumor ou em fases mais avançadas da doença, podem surgir manifestações como:

. Sangue na urina (hematúria), que pode apresentar coloração avermelhada ou escurecida;
. Dor persistente na região lombar ou no flanco;
. Presença de massa abdominal palpável, atualmente pouco frequente;
. Perda de peso sem causa aparente;
. Cansaço ou fraqueza persistente;
. Febre recorrente sem causa infecciosa identificada;
. Anemia e outras alterações sistêmicas.

A associação clássica entre sangue na urina, dor lombar e massa abdominal é atualmente rara e costuma estar relacionada a tumores mais avançados.

Quais são os fatores de risco?

Algumas condições estão associadas a uma maior probabilidade de desenvolvimento do câncer renal. Entre as principais estão:

Tabagismo: é um dos fatores de risco mais bem estabelecidos. O risco aumenta de acordo com a intensidade e o tempo de exposição ao cigarro.

Obesidade: o excesso de peso, especialmente nos graus mais elevados de obesidade, está relacionado ao aumento do risco de carcinoma de células renais.

Hipertensão arterial: pessoas com pressão arterial elevada apresentam maior risco de desenvolver a doença.

Síndrome metabólica: alterações metabólicas associadas, como obesidade, hipertensão e resistência à insulina, também podem aumentar o risco.

Doença renal crônica avançada: pacientes com doença renal terminal, especialmente aqueles submetidos à diálise por períodos prolongados, apresentam risco aumentado de desenvolver tumores renais.

História familiar: pessoas com parentes de primeiro grau com câncer de rim apresentam risco aumentado. A presença de um ou mais familiares de primeiro grau acometidos pode aproximadamente dobrar esse risco.

Síndromes hereditárias: uma pequena parcela dos tumores renais está relacionada a alterações genéticas hereditárias. Entre as principais síndromes estão a doença de Von Hippel-Lindau, síndrome de Birt-Hogg-Dubé, esclerose tuberosa e outras condições genéticas mais raras.

Tumores diagnosticados em pacientes jovens, especialmente aos 46 anos ou menos, assim como tumores bilaterais, multifocais ou associados a história familiar significativa, podem levantar a suspeita de uma síndrome hereditária e justificar avaliação genética especializada.

Nem todos os casos de câncer renal podem ser prevenidos. Entretanto, algumas mudanças no estilo de vida podem contribuir para reduzir o risco de desenvolvimento da doença.

As principais medidas incluem:

. Não fumar ou interromper o tabagismo;
. Manter o peso corporal adequado;
. Praticar atividade física regularmente;
. Manter adequado controle da pressão arterial;
. Adotar hábitos de vida saudáveis e controlar fatores de risco metabólicos.

A European Association of Urology (EAU) recomenda de forma enfática a cessação do tabagismo, o aumento da atividade física e a redução do peso em pessoas com obesidade como as principais medidas preventivas modificáveis relacionadas ao câncer renal.

Atualmente, não existe recomendação para rastreamento rotineiro do câncer de rim na população geral. A avaliação deve ser individualizada, principalmente em pessoas com fatores de risco importantes ou predisposição hereditária.

A maioria dos tumores renais é assintomática nas fases iniciais e atualmente grande parte dos casos é descoberta de forma incidental, durante exames de imagem realizados por outros motivos, como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Quando uma lesão renal suspeita é identificada, a tomografia computadorizada de abdômen com contraste, realizada em múltiplas fases, é um dos principais exames utilizados para sua caracterização. A ressonância magnética também apresenta excelente capacidade diagnóstica e pode ser particularmente útil em situações específicas, como na avaliação de tumores complexos, comprometimento vascular, alergia ao contraste iodado ou quando se deseja obter informações adicionais sobre a natureza da lesão.

Esses exames permitem avaliar características importantes do tumor, como tamanho, localização, relação com os vasos sanguíneos e estruturas próximas, além de fornecer informações fundamentais para o estadiamento e planejamento do tratamento.

A avaliação do tórax também pode fazer parte do estadiamento, principalmente nos tumores com maior risco de disseminação.

Nem toda massa renal precisa ser biopsiada antes do tratamento.

Quando os exames de imagem mostram uma lesão com características típicas de câncer e existe indicação de tratamento cirúrgico, a biópsia pode não ser necessária, pois seu resultado não necessariamente modificará a conduta.

Entretanto, a biópsia pode ser bastante útil em situações selecionadas, especialmente:

. Antes de procedimentos de ablação tumoral;
. Antes do início de tratamento sistêmico quando não existe confirmação histológica prévia;
. Em determinados pacientes candidatos à vigilância ativa;
. Quando existe dúvida diagnóstica e o resultado da biópsia pode modificar a estratégia de tratamento.

É importante destacar que nem toda alteração encontrada no rim representa um câncer. Cistos renais benignos são extremamente frequentes e existem também tumores sólidos benignos que podem apresentar características semelhantes às de uma neoplasia maligna.

A avaliação conjunta pelo urologista e pelo radiologista, considerando as características da imagem e o perfil clínico do paciente, é fundamental para definir a melhor estratégia de investigação e tratamento.

Quando o câncer renal apresenta disseminação para outros órgãos, o tratamento deve ser individualizado e discutido por uma equipe multidisciplinar.

O carcinoma de células renais apresenta baixa sensibilidade à quimioterapia convencional. Entretanto, o tratamento da doença avançada mudou significativamente nos últimos anos com o desenvolvimento da imunoterapia e das terapias-alvo.

Atualmente, diferentes combinações de medicamentos podem ser utilizadas de acordo com o subtipo do tumor, extensão da doença e características clínicas do paciente.

Entre as principais estratégias estão combinações envolvendo inibidores de checkpoint imunológico e medicamentos direcionados às vias moleculares responsáveis pelo crescimento e formação de vasos sanguíneos do tumor.

Em pacientes cuidadosamente selecionados, procedimentos cirúrgicos, tratamento das metástases e outras modalidades locais também podem fazer parte da estratégia terapêutica.

O avanço desses tratamentos proporcionou aumento significativo da sobrevida e possibilidade de controle prolongado da doença para muitos pacientes com câncer renal metastático.

O tratamento deve ser individualizado

Não existe uma única estratégia adequada para todos os pacientes com câncer de rim.

A escolha entre nefrectomia parcial, nefrectomia radical, vigilância ativa, ablação ou tratamento sistêmico deve considerar as características do tumor e, principalmente, as condições clínicas e a função renal de cada paciente.

O objetivo é alcançar o melhor controle oncológico possível, preservando, sempre que possível, a função dos rins e a qualidade de vida.

Fatores de risco

Algumas condições estão associadas a uma maior probabilidade de desenvolvimento do câncer renal.
Entre as principais estão:

Tabagismo

é um dos fatores de risco mais bem estabelecidos. O risco aumenta de acordo com a intensidade e o tempo de exposição ao cigarro.

Obesidade

o excesso de peso, especialmente nos graus mais elevados de obesidade, está relacionado ao aumento do risco de carcinoma de células renais.

Hipertensão

pessoas com pressão arterial elevada apresentam maior risco de desenvolver a doença.

Histórico familiar

pessoas com parentes de primeiro grau com câncer de rim apresentam risco aumentado. A presença de um ou mais familiares de primeiro grau acometidos pode aproximadamente dobrar esse risco.

Tratamento do câncer de rim

O tratamento deve ser individualizado de acordo com o tamanho e localização do tumor, estágio da doença, características radiológicas, função dos rins, idade, condições clínicas e expectativa de vida do paciente.

Nos tumores localizados, a cirurgia permanece como o principal tratamento com intenção curativa. Sempre que oncologicamente seguro e tecnicamente possível, procura-se retirar o tumor preservando a maior quantidade possível de tecido renal saudável.

Nefrectomia parcial

A nefrectomia parcial consiste na retirada do tumor com preservação do restante do rim.

Atualmente, é o tratamento cirúrgico recomendado para a maioria dos tumores classificados como T1, ou seja, aqueles com até 7 cm e restritos ao rim, sempre que o procedimento for tecnicamente viável.

A preservação do tecido renal é especialmente importante por contribuir para a manutenção da função dos rins e reduzir o risco de desenvolvimento ou agravamento da doença renal crônica.

Mesmo alguns tumores maiores podem ser tratados por nefrectomia parcial em situações selecionadas, principalmente quando existe rim único, doença renal crônica ou tumores nos dois rins, desde que seja possível realizar o procedimento com segurança oncológica e cirúrgica.

A cirurgia robótica ampliou as possibilidades de realização da nefrectomia parcial por acesso minimamente invasivo, especialmente em tumores de localização mais complexa.

O sistema proporciona ao cirurgião visão tridimensional ampliada, instrumentos articulados e movimentos de elevada precisão, características particularmente úteis durante a dissecção do tumor, controle dos vasos sanguíneos e reconstrução do rim.

Quando adequadamente indicada e realizada por equipe experiente, a nefrectomia parcial robótica pode proporcionar menor trauma cirúrgico, menor perda sanguínea, menor dor pós-operatória, menor tempo de internação e recuperação mais rápida, preservando os princípios fundamentais do tratamento oncológico e da função renal.

A escolha entre cirurgia robótica, laparoscópica ou aberta deve ser individualizada conforme as características do tumor, condições do paciente e experiência da equipe cirúrgica.

A nefrectomia radical consiste na retirada completa do rim acometido pelo tumor.

É indicada principalmente quando o tumor apresenta grande volume ou características de maior complexidade, tornando a preservação segura do rim tecnicamente inviável ou oncologicamente inadequada.

Sempre que uma nefrectomia parcial puder ser realizada com segurança e oferecer resultado oncológico adequado, a preservação renal deve ser considerada.

A nefrectomia radical também pode ser realizada por técnicas minimamente invasivas, como a videolaparoscopia ou cirurgia robótica, dependendo das características do tumor e do paciente.

Nem todo tumor renal pequeno necessita de tratamento imediato.

A vigilância ativa consiste no acompanhamento periódico do tumor por meio de exames de imagem, reservando uma intervenção para situações em que seja identificado crescimento ou mudança das características da lesão.

Pode ser considerada principalmente em pacientes com pequenas massas renais, especialmente quando idade avançada, fragilidade ou outras doenças aumentam os riscos relacionados ao tratamento.

A decisão deve ser individualizada após avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios de tratar ou acompanhar a lesão.

Em pacientes selecionados com tumores pequenos e que apresentam maior risco para um procedimento cirúrgico, podem ser utilizadas técnicas capazes de destruir o tumor sem a necessidade de sua retirada cirúrgica.

Entre elas estão:

. Crioablação: destruição das células tumorais através do congelamento;
. Ablação térmica: destruição tumoral através da aplicação controlada de energia e calor.

Esses procedimentos são realizados com auxílio de métodos de imagem para posicionamento preciso dos dispositivos no interior do tumor.

De maneira geral, são reservados principalmente para pequenas massas renais em pacientes que apresentam indicação para tratamento, mas não são bons candidatos à cirurgia.

Antes da ablação, recomenda-se a realização de biópsia da massa renal para confirmação histológica.

Cuide da saúde dos seus rins

Muitos tumores renais não apresentam sintomas nas fases iniciais e são descobertos incidentalmente durante exames realizados por outros motivos.

Converse com o seu médico sobre a avaliação da sua saúde renal. Caso algum exame identifique uma alteração ou lesão nos rins, procure a avaliação de um urologista para investigação adequada e definição da melhor conduta.

Quando o câncer de rim é diagnosticado em estágio inicial e ainda está localizado, as possibilidades de tratamento com intenção curativa e preservação da função renal são maiores.

Informação, diagnóstico adequado e tratamento individualizado fazem a diferença. Cuide-se e mantenha seu acompanhamento médico em dia.