Câncer de Próstata

O que é o câncer de próstata?

O câncer de próstata é uma das neoplasias malignas mais frequentes no homem e sua incidência aumenta progressivamente com a idade. Na maioria das vezes, desenvolve-se de forma lenta e pode permanecer sem causar sintomas durante muitos anos.

Entretanto, nem todos os tumores apresentam o mesmo comportamento. Alguns possuem baixo risco de progressão e podem ser acompanhados de forma segura por meio da vigilância ativa, evitando ou postergando tratamentos desnecessários. Outros apresentam características mais agressivas e necessitam de tratamento específico.

Quando diagnosticado em fase inicial e ainda localizado, o câncer de próstata apresenta elevada possibilidade de controle e cura. Por esse motivo, a avaliação individualizada do risco e a discussão sobre a detecção precoce são importantes, especialmente em homens com fatores de risco.

Qual é a função da próstata?

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. A uretra atravessa seu interior, conduzindo a urina da bexiga para o exterior.

Sua principal função é produzir parte do líquido seminal, que participa da composição do sêmen e contribui para a nutrição e proteção dos espermatozoides.

Com o envelhecimento, a próstata pode aumentar de tamanho, condição conhecida como hiperplasia prostática benigna (HPB). Esse crescimento benigno é diferente do câncer de próstata, embora as duas condições possam coexistir.

Saiba mais sobre a próstata

O câncer de próstata é comum?

Sim. O câncer de próstata está entre os tumores malignos mais frequentemente diagnosticados no homem em todo o mundo.

O risco aumenta significativamente com a idade. Embora alterações microscópicas relacionadas ao câncer possam ser encontradas em homens mais jovens, a doença clinicamente significativa é muito mais comum a partir dos 50 anos.

É importante lembrar que muitos tumores prostáticos apresentam evolução lenta e podem nunca causar sintomas ou comprometer a expectativa de vida. Por outro lado, existem formas biologicamente mais agressivas, capazes de apresentar crescimento rápido e disseminação para linfonodos, ossos e outros órgãos.

Por isso, atualmente não se avalia apenas se existe câncer, mas principalmente qual é o risco e o comportamento biológico daquele tumor.

Alguns fatores estão consistentemente associados a uma maior probabilidade de desenvolvimento do câncer de próstata.

Idade

É um dos principais fatores de risco. A incidência do câncer de próstata aumenta progressivamente com o envelhecimento, sendo pouco frequente a doença clinicamente significativa antes dos 50 anos em homens sem outros fatores de risco.

Histórico familiar

Homens com familiares próximos diagnosticados com câncer de próstata apresentam risco aumentado, especialmente quando existem múltiplos familiares acometidos ou quando o diagnóstico ocorreu em idade jovem.

A história familiar torna-se particularmente relevante quando há casos de câncer de próstata diagnosticados antes dos 60 anos ou diversos casos de câncer na mesma linhagem familiar.

Ancestralidade africana

Homens de ancestralidade africana apresentam maior risco de desenvolver câncer de próstata e maior probabilidade de diagnóstico de doença clinicamente significativa ou em estágios mais avançados.

Por esse motivo, esse grupo deve discutir com o urologista a possibilidade de iniciar a avaliação prostática mais precocemente.

Fatores genéticos e hereditários

Algumas alterações genéticas hereditárias estão associadas ao aumento do risco de câncer de próstata, especialmente mutações no BRCA2. Alterações em outros genes, como BRCA1, HOXB13, ATM, CHEK2 e genes relacionados à síndrome de Lynch, também podem estar envolvidas.

A presença de múltiplos casos de câncer de próstata, mama, ovário, pâncreas ou outros tumores em uma mesma família pode justificar avaliação genética individualizada.

De acordo com as recomendações da European Association of Urology (EAU), a decisão deve ser individualizada e discutida entre médico e paciente.

Como referência, a avaliação com PSA pode ser considerada a partir de:

. 50 anos: homens sem fatores adicionais de risco;

. 45 anos: homens com história familiar de câncer de próstata diagnosticado antes dos 60 anos;

. 45 anos: homens de ancestralidade africana;

. 40 anos: homens portadores de mutação no gene BRCA2.

A estratégia de acompanhamento posterior pode ser ajustada de acordo com o valor inicial do PSA, idade, histórico familiar, condições clínicas e expectativa de vida.

A avaliação não deve ser baseada apenas em um valor isolado do PSA. Quando necessário, podem ser utilizados outros parâmetros, como densidade do PSA, exame físico, ressonância magnética multiparamétrica da próstata e calculadoras de risco, antes da decisão sobre a realização de uma biópsia.

Nos fragmentos do procedimento apresentados neste vídeo, é possível acompanhar etapas de uma prostatectomia radical robótica realizada com princípios da técnica ultrapreservadora, abordagem que valoriza o conhecimento detalhado da anatomia e uma dissecção delicada e precisa.

A técnica busca identificar e respeitar os planos anatômicos naturais, minimizar a manipulação e o uso de energia térmica próximo às estruturas neurais e preservar, sempre que houver segurança oncológica, os feixes neurovasculares responsáveis pela função erétil. Da mesma forma, atenção especial é dedicada à preservação do comprimento uretral e das estruturas relacionadas ao mecanismo da continência urinária.

É justamente nesse momento que a associação entre experiência e tecnologia ganha ainda mais importância. A visão tridimensional ampliada e em alta definição, somada à precisão e à articulação dos instrumentos robóticos, permite ao cirurgião reconhecer estruturas delicadas e executar movimentos extremamente precisos.

Mas a tecnologia é uma ferramenta. Quem interpreta a anatomia, define o plano de dissecção, toma as decisões e executa cada movimento é o cirurgião.

O objetivo é tratar o câncer com segurança oncológica e, sempre que as características da doença permitirem, preservar ao máximo as estruturas responsáveis pela continência urinária e pela função sexual, aspectos fundamentais para a recuperação funcional e a qualidade de vida após a cirurgia.

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Tecnologia que preserva o que mais importa.

Nas fases iniciais, geralmente não causa sintomas. Por isso, a ausência de dificuldade para urinar, dor ou sangue na urina não exclui a possibilidade da doença.

Sintomas urinários como jato fraco, aumento da frequência urinária ou necessidade de levantar à noite para urinar são muito comuns com o envelhecimento e frequentemente estão relacionados à hiperplasia prostática benigna, e não necessariamente ao câncer.

Em fases mais avançadas, o câncer de próstata pode estar associado a sintomas urinários, hematúria, perda de peso, dor óssea ou outras manifestações decorrentes da disseminação da doença.

Por esse motivo, a avaliação do risco deve ocorrer antes do aparecimento de sintomas, de forma individualizada e após discussão com o urologista.

A investigação geralmente começa com a avaliação do PSA, exame físico e análise dos fatores de risco individuais. É importante lembrar que o PSA não é específico para câncer e pode estar elevado em outras situações, como hiperplasia prostática benigna, inflamações e infecções da próstata.

Quando existe suspeita de câncer, a ressonância magnética multiparamétrica da próstata é atualmente um dos principais exames utilizados antes da decisão pela biópsia. Ela permite identificar áreas suspeitas, estimar o risco de câncer clinicamente significativo e direcionar a coleta de fragmentos.

A confirmação definitiva do diagnóstico é realizada pela biópsia da próstata, com análise do tecido pelo patologista.

Atualmente, a biópsia transperineal é a via preferencial, principalmente pelo menor risco de complicações infecciosas quando comparada à biópsia transretal.

O procedimento pode ser realizado sob sedação ou anestesia. A próstata é visualizada por ultrassonografia e, quando existe uma lesão suspeita na ressonância, pode ser utilizada a biópsia por fusão, combinando as imagens da ressonância magnética com as do ultrassom em tempo real para direcionar com maior precisão a coleta.

Os principais riscos são:

. presença temporária de sangue na urina ou no sêmen;
. pequeno sangramento no local da punção;
. dificuldade temporária para urinar ou, mais raramente, retenção urinária;
. infecção, atualmente pouco frequente com a utilização da via transperineal.

Nem todo câncer de próstata apresenta o mesmo comportamento. Alguns tumores crescem lentamente e podem ser apenas acompanhados, enquanto outros apresentam maior potencial de crescimento e disseminação.

Para definir o risco da doença são avaliados principalmente:

. PSA;
. Grau histológico – ISUP/Gleason obtido na biópsia;
. extensão do tumor, avaliada pelo exame físico e pelos exames de imagem;
. presença ou ausência de comprometimento de linfonodos ou outros órgãos.

Quando indicado, exames como PET/CT com PSMA podem complementar o estadiamento.

A combinação dessas informações permite classificar o câncer em diferentes grupos de risco e escolher o tratamento mais adequado para cada paciente.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento é individualizado de acordo com as características do tumor, idade, condições clínicas, expectativa de vida e preferências do paciente.

Prostatectomia radical robótica

É uma opção de tratamento altamente curativa, minimamente invasiva com auxílio do robô, promovendo entre outros benefícios, a melhora do desfecho oncológico e funcional(continência e ereção) em mãos experientes. Em nossa prática, focamos a nossa atividade cirúrgica na modalidade de tratamento robótico. Essa tecnologia proporciona visão ampliada e tridimensional, movimentos precisos e excelente acesso às estruturas ao redor da próstata. Entre os benefícios do acesso robótico estão menor sangramento, pequenas incisões, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. Quando oncologicamente seguro, técnicas de preservação dos feixes neurovasculares e das estruturas relacionadas à continência urinária podem ser utilizadas com o objetivo de otimizar a recuperação funcional.

Vigilância ativa

Indicada principalmente para tumores de baixo risco e determinados casos selecionados, nos quais o tratamento imediato pode não trazer benefício. O acompanhamento é estruturado, utilizando PSA, avaliação clínica, ressonância magnética e, quando indicado, novas biópsias. Caso sejam identificados sinais de progressão, pode-se indicar tratamento com intenção curativa.

Radioterapia

Também é uma opção de tratamento com intenção curativa para a doença localizada e localmente avançada. As técnicas modernas permitem direcionar a radiação com grande precisão. Dependendo do risco da doença, a radioterapia pode ser realizada isoladamente ou associada ao bloqueio hormonal.

Tratamento sistêmico

Nos casos de doença avançada ou metastática, o tratamento pode envolver terapia de privação androgênica (bloqueio hormonal) associada, conforme cada situação, a novos agentes hormonais, quimioterapia, terapias direcionadas ou radiofármacos.

Quais são os possíveis efeitos do tratamento?

Os principais efeitos funcionais relacionados ao tratamento do câncer de próstata incluem alterações da continência urinária e da função sexual, cuja frequência e intensidade variam de acordo com idade, condições prévias, características do tumor e modalidade de tratamento.

Após a prostatectomia radical, pode ocorrer inicialmente perda urinária e redução da função erétil, com possibilidade de recuperação progressiva ao longo dos meses.

A radioterapia também pode provocar alterações urinárias, sexuais e intestinais, algumas delas podendo surgir de forma mais tardia.

A escolha do tratamento deve, portanto, buscar não apenas o controle oncológico, mas também a melhor preservação possível da continência urinária, função sexual e qualidade de vida.

Cuide da sua saúde

O câncer de próstata, quando diagnosticado precocemente, apresenta elevadas chances de cura e permite maior possibilidade de escolha entre diferentes estratégias de tratamento.

A avaliação com o urologista deve ser individualizada, considerando idade, histórico familiar, fatores de risco e características de cada paciente.

Caso seja necessário tratamento, informe-se sobre as opções disponíveis, seus benefícios e possíveis efeitos sobre a continência urinária, função sexual e qualidade de vida. A experiência da equipe e a escolha adequada da técnica também são importantes para alcançar bons resultados oncológicos e funcionais.

Informação, prevenção e diagnóstico precoce fazem a diferença. Cuide-se.